A Impossibilidade de uma Lei Natural sem Deus



Clive Staples Lewis foi, sem dúvidas, um dos maiores escritores de todos os tempos. Tornou-se popular, principalmente, pela sua série de romances “As Crônicas de Nárnia”. C.S. Lewis possui, também, uma admiração especial por partes dos cristãos devido à sua maneira única de encontrar relações entre as verdades bíblicas e a vida prática neste século. Muitos afirmam que Lewis foi um liberal em sua visão política e econômica (como um dos recentes episódios do podcast do Instituto Mises Brasil).

Meu propósito é, por meio deste artigo, apesentar aquilo que ele defende, principalmente, no segundo capítulo de seu livro “A abolição do homem” – a compreensão de que é impossível formular uma lei natural objetiva e universal sem a presença de um Deus* – e como isso se relaciona com o pensamento coletivista e o dos próprios libertários.


Entendendo o livro

Fazendo um breve resumo do primeiro capítulo do livro, C.S. Lewis está discorrendo a respeito de um livro pedagógico escrito por dois autores, os quais são apelidados de Gaius e Titius. Esse livro tenta passar para os seus leitores a ideia de que os sentimentos humanos são algo prejudicial para o desenvolvimento pessoal e o da própria sociedade. Mas o que está por trás desse livro é um completo subjetivismo moral tentando ser passado para os inocentes estudantes.

A primeira resposta de Lewis à filosofia do livro (que é, na verdade, de gramática) é que seus autores tem a intenção de produzir determinados estados mentais em seus leitores pressupondo que esses “estados mentais” são necessários, eficientes ou trazem algum progresso para a humanidade. Entretanto, as questões que ficam aos seus autores são: “Necessários para quê?”, “Eficientes no quê?” e “Trazem progresso em direção ao quê?”. Afinal, para que alguma dessas perguntas obtenha uma resposta, precisa-se assumir que existe uma finalidade que é essencialmente boa. “Em última instância, eles [os autores] teriam de reconhecer que, em sua opinião, algum estado de coisas é bom em si mesmo”.

Pode ser, então, que alguém se levante dizendo: “Bom é aquilo que é útil para a comunidade”. Essa é uma maneira típica de pensar dos socialistas, que dirão que você deve abrir mão dos seus bens de produção e de grande parte da sua riqueza para que os mais necessitados possam desfrutar deles. Também aqueles que se orgulham em serem chamados de patriotas e adotam uma postura nacionalista afirmarão que você deve estar disposto a entregar a sua vida e até a da sua família pelo bem do país, de muitas pessoas que você nem sequer conhece. Mas por que, afinal de contas, o altruísmo é melhor do que o egoísmo? E por que a preservação da sociedade é superior à preservação individual?

Surgirá, então, alguém alegando que a chave para alcançarmos a lei natural está em observarmos os nossos instintos. E, de fato, descobriremos que temos uma tendência natural para a preservação do grupo ao qual pertencemos e até da própria espécie. Entretanto, os “instintos” nada mais são do que impulsos irrefletidos e espontâneos que temos. Possuímos outros instintos, como o instinto sexual, que leva muitos indivíduos a casos horrendos de estupros e abusos. Mas esses indivíduos não estão apenas suprindo suas vontades instintivas? O que nos leva a concluir que aqueles instintos devem ser preservados e estes combatidos?


Conclusão


Não é de hoje que pensadores cristãos afirmam que, se anularmos o fator Deus nada mais faz sentido. Torna-se impossível construir uma "sociedade justa", pois todos os conceitos de justiça não são nada além de percepções pessoais de mundo. Sua visão de mundo pode estar baseada em Locke ou em Rousseau, na ética argumentativa ou no materialismo dialético. “Se Deus sai de cena, saem com ele todas as concepções de valor”.


A ausência de Deus na construção de um conhecimento sólido tem levado o homem a sua própria ruína intelectual e social. O progressismo, o marxismo e o relativismo têm tomado conta do pensamento acadêmico e político. Estamos nos deixando ser levados "por todo vento de doutrina".


Este artigo não se trata de uma apologia do Deus cristão. Mas aqueles que compartilham dessa fé deveriam refletir se as suas convicções estão baseadas nas “verdades” supérfluas desta era ou naquele que diz “Eu sou a verdade”.


* Lewis não usa a palavra "Deus", mas "Tao", referindo-se a um ser no qual está baseado toda a existência. Um ser externo ao mundo inteligível, não deixando, porém, de ser relacional.



Sobre o autor:

Pedro Rodrigues Miranda

Editor do Cristãos Pela Liberdade e coordenador do Students For Liberty Brasil. É estudante pela Universidade Federal do ABC e professor de física.

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