A Postura Cristã em Relação aos Outros



Faz parte do desenvolvimento humano que as pessoas de todas as gerações devem chegar a um acordo e decidir o que aceitar das tradições religiosas que herdam das gerações anteriores. Apesar de sua sabedoria acumulada, nossos pais (e os pais deles) não são infalíveis. Nem tudo que eles entregam para nós deve continuar para sempre. Assim, as crianças seguem em frente e, para o bem ou para o mal, tornam a fé delas própria.


Seja pelo desencantamento com os valores cristãos tradicionalmente conservadores ou por uma mudança nas prioridades teológicas ou filosóficas, muitos cristãos ocidentais estão se afastando das expressões de fé de seus pais. Eles estão adotando novos valores, crenças e práticas.


Porque afastar-se da fé é parte de um “pacote” maior de considerações familiares, sociais e culturais, a rejeição de atitudes, hábitos e crenças prejudiciais percebidas, muitas vezes inclui coisas que não devem ser rejeitadas.


Tragicamente, uma das tendências dessa mudança em direção a novas ideias é a rejeição do capitalismo de livre mercado. A partir da rejeição do capitalismo com base na falsa suposição de que ele gera ganância (“A Amazon não paga aos seus empregados o suficiente!”) ou promove o interesse próprio (“As corporações colocam lucros à frente das pessoas!”), esses peregrinos na fé dão um enorme salto do bom e apropriado ensino social cristão para uma má economia política. Eles presumem que, uma vez que Jesus falou sobre o amor ao próximo e deu muitas advertências aos ricos, segue-se que o capitalismo significa que devemos escolher um sistema completamente diferente.


Nem todo grande pensador cristão acredita em uma troca indiscriminada de um sistema por outro. Alguns parecem querer isso. Mas há uma mudança clara na teologia sócio-política em muitos sermões evangélicos, livros e outros escritos cristãos.


Certamente, devemos amar nosso próximo, tratá-lo com respeito, honra e dignidade e ajudar os necessitados. Quando alguém se alinha com o Reino de Deus, ele está se unindo a um movimento para um propósito comum de participação na obra de Deus em redimir o mundo de seu estado pecaminoso e caído. No entanto, essa participação é por convite; isto é, aqueles que participam o fazem voluntariamente. E se a igreja primitiva conseguiu se assemelhar a alguma forma de “socialismo” (uma palavra inteiramente anacrônica para descrevê-la em primeiro lugar), seu sucesso deve-se ao fato de ser um fenômeno inteiramente voluntário.


Não, adicionar a palavra "democrático" não torna algo sagrado ou voluntário. É o enigma para mim. Muitos desses queridos amigos cristãos rejeitaram comunidades religiosas institucionalizadas muito limitadoras e antiliberais, embora se transformem e sejam rápidos em adotar uma limitação moral e institucionalizadora das interações voluntárias de milhões de pessoas.


A questão importante que os cristãos que flertam com o socialismo devem fazer é: “E aqueles que dizem 'eu não consinto com sua política'? Se eles não se alinham com sua fé ou ética, é uma virtude cristã exigir que eles respeitem a estrutura política que você acredita que deveria existir? Como isso é amar o seu próximo? Seu próprio ato de afastar-se do que eles consideravam ser doutrinação religiosa opressiva é exibido nesse caso contra a política coercitiva.


A ironia aqui é que esses cristãos são geralmente de mente aberta e inclusiva em suas atitudes em relação aos outros. Eles são frequentemente calorosos e acolhedores com os outros, incluindo aqueles com quem eles discordam. Eles só precisam aplicar essa postura na política. É a postura cristã em relação aos outros que é perigosa porque demonstra nossa disposição e capacidade de tratar os outros que não são como nós ou que discordam de nós com o respeito e a dignidade que eles merecem. Promove um mundo inclusivo, onde as pessoas são livres para viver de acordo com sua própria consciência, onde permitimos que “cada um tenha opinião bem-definida em sua própria mente” de seguir a Cristo (Romanos 14.5)


Sim, os cristãos devem se opor à ganância (que não é o capitalismo). E, claro, todos devem se opor aos males sociais. Mas a falha crítica do progressivismo e daqueles que seguem suas sugestões econômicas é abraçar os tipos de instituições que permitem e propelem os mesmos tipos de injustiças que desejam abolir. Eles podem pregar tudo o que quiserem sobre o abuso por alguns de "liberdade demais", mas até que reflitam profundamente sobre os direitos especiais que eles conferem à própria instituição a qual simplesmente não podem abandonar (e aprender alguma economia decente), sua dependência do poder permanecerá óbvia para aqueles de nós que estão firmes contra o império.


A ganância dos outros na sociedade não pode ser eliminada. Só pode ser minimizada ou redirecionada para usos produtivos. A presença de uma sociedade livre e a aplicação da lei protegem os atos de consentimento entre os seres humanos racionais, assim, a ganância é canalizada para o bem. Isto é, se eu quiser o seu dinheiro ou algum outro bem, tenho que fazer algo por você em troca. A presença e a proteção legal do livre mercado fomentam a cooperação e o comércio mutuamente benéfico.


É desse modo que defender uma sociedade livre é compatível com a mensagem do Reino de Jesus de “amar o próximo”, porque tal ética exige que respeitemos a propriedade e a vida de outras pessoas. Quando formos obrigados a respeitar as propriedades uns dos outros, nossas escolhas serão conduzidas para pensar no comércio em vez do roubo.


Não há nada anticristão para os seguidores de Cristo consentirem em permitir que outros vivam de acordo com sua consciência, mesmo que isso signifique que eles não concordam com a totalidade de nossa estrutura moral. Nada em uma sociedade livre os impede de formar comunidades fundadas em seus compromissos éticos preferidos. No entanto, eles não podem fazer a mesma oferta aos defensores de uma sociedade livre.



Sobre o Autor:

Doug Stuart

é CEO da LCI e mestre em Divindade pelo Seminário Bíblico. Ele atualmente vive com sua esposa e três filhos em Lancaster, Pensilvânia, onde ele aprecia cerveja caseira, café torrado, leitura e aviação. Ele frequenta uma igreja evangélica onde ele ministrou aulas sobre cinema e cultura, evangelismo, fé e economia e não-violência.

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