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© 2017 Cristãos Pela Liberdade

O Socialismo Democrático Promove Valores Bíblicos?



Um artigo de Obery M. Hendricks Jr. publicado na Sojourners exaltou os “valores bíblicos” do socialismo democrático de Alexandria Ocasio-Cortez (uma congressista americana). O problema com o argumento está em sua confluência de meios e fins. Enquanto alguns dos fins que a filosofia política pretende promover certamente se qualificam como “valores bíblicos”, os meios para alcançá-los - o socialismo democrático - estão em contradição direta com um dos valores bíblicos mais fundamentais - o Segundo Grande Mandamento.

Quando se trata do mundo das ideias, Hendricks ainda não se deu bem. Está na metade do caminho, mas ele não percebe que ainda está para ver a imagem completa.

Há alguns anos, visitei as Badlands, na Dakota do Sul. A estrada que leva ao lado oeste do parque atravessa uma terra de prados sem árvores. Sendo do montanhoso Kentucky, achei a pradaria plana curiosamente linda. Então, de repente, a estrada fez uma curva acentuada e me vi olhando para as Badlands com seus desfiladeiros profundos e belas formações rochosas multicoloridas. Era uma vista que eu mal poderia imaginar que estava ao virar da esquina apenas um momento antes.

Enquanto eu dirigia pela pradaria, eu estava contente com o que eu sabia. De fato, de muitas maneiras, acreditei que meu conhecimento estava completo. Mas quando eu fui apenas alguns passos adiante, toda a minha percepção mudou. 

Hendricks argumenta: “O socialismo democrático e a Bíblia compartilham uma visão surpreendentemente similar do que constitui uma sociedade boa e justa”.

Se você for até a metade da estrada, Hendricks parece correto. Por exemplo, ele escreve: “Em numerosas passagens bíblicas, os líderes são admoestados a lutar pela justiça e igualdade, priorizando a situação dos menos favorecidos”.

Mas Hendricks precisa se esforçar um pouco mais, porque em nenhum lugar Jesus endossa o uso da violência, força e coerção para os fins do Reino. E em seu núcleo, o socialismo democrático repousa sobre uma base de violência, força e coerção.

Hendricks não vê isso. Ele escreve: “O socialismo democrático procura construir uma sociedade mais humana, não por força ou compulsão, mas por meio da antiga prática democrática de 'uma pessoa, um voto'*”.

Será que isso acontece?

Em verdade, a democracia não torna a sociedade mais humana. Não faz nada para eliminar a violência, força e coerção inerente a todos os sistemas políticos. Apenas muda a tomada de decisão. Em vez de um indivíduo ou uma oligarquia legitimando a violência, 50,1% dos cidadãos que escolhem votar conseguem fazê-lo. 

Hendricks cai em uma falácia afirmando que a maioria possui algum tipo de autoridade moral. Não possui. Se eu não puder justificar eticamente bater em você e pegar suas coisas, reunir um grande grupo de pessoas e realizar uma eleição não me dotará magicamente da autoridade moral para bater em você e pegar suas coisas. 

Democracia significa simplesmente que a maioria consegue obrigar a minoria a se submeter à sua vontade. Os socialistas democráticos acreditam que, se conseguirem convencer 50,1% dos eleitores americanos a aceitarem sua agenda, podem tomar isso como um mandato autorizando-os a retirar as armas e trancar pessoas que não aceitam sua visão de "justiça social" em prisões.

Agora, a maioria dos socialistas democráticos não vai admitir que eles vão te matar se você não concordar com a visão deles, mas se você levar o sistema deles à sua conclusão lógica, é de fato onde isso termina. Nunca se esqueça de que o estado, em última instância, aplica todas as leis sob a mira de uma arma. Em outras palavras, com a ameaça de força letal.

Morte.

Os acadêmicos progressistas adoram pontificar sobre subjetivismo, democracia e essa noção de que a opinião da sociedade dita o certo e o errado. Mas eles só querem viver em tal mundo se puderem dobrar a vontade da maioria para abraçar a estrutura moral que eles possuem. Eles são absolutistas morais que usam a ideia de subjetividade para derrubar estruturas morais/éticas estabelecidas que eles não gostam. Eles querem substituí-las pelas suas próprias.

Entrar no governo.

Você notará que os progressistas nunca se recostam e dizem: “Bem, a maioria rejeita claramente a legitimidade moral do casamento homossexual, por isso aceitamos isso. Nós seguiremos em frente”. Não. Eles tentam tomar o controle do poder do governo para forçar a sociedade a adotar seus princípios morais de “inclusão” e “tolerância”. 

Claro, a direita política faz a mesma coisa. Eles não dizem: “Bem, a maioria aceita maconha. Vamos parar a guerra às drogas”. Eles continuam a trancar pessoas em gaiolas por possuírem uma planta, apesar das grandes maiorias de americanos serem favoráveis à legalização. A única diferença reside no fato de que a direita tipicamente conta com as estruturas morais “tradicionais” para justificar sua coerção, em vez das convenções éticas mais modernas defendidas pelos progressistas. 

Na prática, o estatismo - seja socialismo democrático ou conservadorismo de direita - se resume à aplicação da força. A legitimidade do governo não deriva de uma “vontade coletiva”, “consentimento majoritário” ou de algum contrato social mítico. Sua "legitimidade" repousa na sua capacidade de exercer força suficiente para obrigar a obediência.

Isto, enfaticamente, não é um “valor bíblico”.

* É um slogan usado pelos defensores da igualdade política por meio de várias reformas eleitorais, como o sufrágio universal, a representação proporcional ou a eliminação do voto plural.





Autor anônimo

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