Páscoa e Liberdade 2

Atualizado: 20 de Fev de 2019



Segunda Parte


Para haver uma diferenciação entre as Páscoas teremos o Pessach como a primeira Páscoa, ou Páscoa Judaíca, apenas para simplificar e elucidar melhor a interpretação do texto.


Como havia retratado no texto anterior, o Pessach simboliza a Libertação do povo hebreu de uma opressão estatal onde o Faraó é o representante máximo de uma Nação, sendo tanto uma divindade e/ou autoridade espiritual quanto uma autoridade estatal. (Interessante como as coisas não mudaram muito nesses últimos 5.000 anos, algumas das "nossas autoridades" se apresentam como divindades do Estado, ou pelo menos se sentem como). Nesse ambiente de opressão Deus levanta líderes, como Moisés e Arão, para a tarefa de libertação do povo hebreu, que constituía uma nação inserida em outra.


Vale ressaltar que durante o processo do Êxodo, a nação hebreia passou por dificuldades no deserto, algo que está intrinsecamente ligado ao processo de libertação. Ser livre é retomar responsabilidade e, com ela há o ônus da não execução apropriada da mesma. Em inúmeros trechos no relato do Êxodo o povo questiona a saída do Egito


Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos. Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este maná.

Números 11:5-6.


e a autoridade de Moisés - vide a Rebelião de Corá, Datã e Abirão, em Números 16). Mas, ainda assim Deus reafirma seu compromisso e cuidado com o povo de Israel


Eu sou o SENHOR, vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para vos ser por Deus. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.

Números 15:41


A servidão, de algum modo, pode carregar em si algum tipo de leniência, comodismo, transferência de responsabilidade, ela delega à algo ou alguém a responsabilidade sobre sua própria vida. Percebemos isso perfeitamente nos dias atuais. O Estado quer lhe garantir saúde, educação, segurança, previdência, etc… a única coisa que você tem de fazer é concordar com isso tudo votando e pagando os seus impostos. Dessa forma você não terá problemas.


"Art. 6º  São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição."

Emenda Constitucional número 26 de 24 de fevereiro de 2000. Artigo 6º


No Egito o povo hebreu detinha serviços estatais, eles apenas deveriam ser bons cidadãos e servir ao Estado em troca de segurança contra povos invasores, alguns serviços e um certo grau de liberdade.


Um breve parênteses. Vemos no terceiro e sexto capítulo do livro de Daniel referências de uma desobediência civil muito peculiar e instrutiva. No terceiro capítulo Nabucodonosor levanta uma estátua e exige reverência de todo o povo e três homens recusam, e por isso são sentenciados a morte. No capitulo sexto e versículo sétimo o Rei Dario exige que no período de trinta dias toda a petição deveria ser feita a ele somente, e se fosse feita a outro homem e a qualquer deus este iria para a cova dos leões, e foi o que ocorreu com Daniel. Vemos neste breve relato a interferência do Estado em assuntos que não lhe cabe, em alguns casos o Estado tentou, e ainda tenta, se colocar na mesma estatura de Deus, confundindo e mesclando divindades e autoridades como seres supremos a que todo o povo deve reverenciar por intermédio de tratados e decretos. Muitos dos cristãos da primeira igreja eram sentenciados a morte por não reverenciarem ao César. Ainda temos isso nos dias de hoje, mas tratarei disso mais a frente.


Voltando ao texto. Vale lembrar que as duas nações eram amigas, a partir da interação de José, filho de Jacó, com os egípcios. A servidão começa a se intensificar a partir do crescimento do povo hebreu, e temor dos egípcios a este

crescimento, daí nasce a insatisfação e revolta hebreia em detrimento do nível de trabalho a ser entregue à máquina estatal egípcia.


O Estado na figura do Faraó deslegitima qualquer outra autoridade que haja sobre o povo de Israel, no inicio do quinto capítulo de Êxodo ele diz desconhecer o SENHOR e questiona o por quê de deixar ir o povo em detrimento deste SENHOR.


Quando o processo de libertação se inicia a opressão se intensifica para que o oprimido desista de sua empreitada. Moisés quando inicia o processo de negociação com o Faraó, este aumenta o volume de trabalho e retira algumas facilidades esperando que o povo se voltasse contra Moisés e desistissem.


Naquele mesmo dia, pois, deu ordem Faraó aos superintendentes do povo e aos seus capatazes, dizendo: Daqui em diante não torneis a dar palha ao povo, para fazer tijolos, como antes; eles mesmos que vão e ajuntem para si a palha. E exigireis deles a mesma conta de tijolos que antes faziam; nada diminuireis dela; estão ociosos e, por isso, clamam: Vamos e sacrifiquemos ao nosso Deus. Agrave-se o serviço sobre esses homens, para que nele se apliquem e não deem ouvidos a palavras mentirosas.

Êxodo 5:6-9


Pois, desde que me apresentei a Faraó, para falar-lhe em teu nome, ele tem maltratado este povo; e tu, de nenhuma sorte, livraste o teu povo.

Êxodo 5:23


O Pessach representa, no início da história da salvação, a libertação de uma opressão estatal muito latente. O Estado na figura do Faraó é muito característico e vê-se claramente neste o único capaz de determinar a vida cotidiana do cidadão. É ele o responsável pelo o ambiente, quando chove ou faz sol, quando é a época de colher. É ele o legislador, é ele o mediador, executor, é ele o defensor, é ele capaz de gerar ou tirar a vida (Êxodo 1:16). Ou seja, não mudamos muito as características estatais, não é mera coincidência que o estado se porte da mesma maneira há 5.000 anos. É verdade que muito se mudou na forma como este se desenvolve (organização, governança, sistema político) mas a estrutura de coerção, imposição e definição da vida comum dos cidadãos permanecem a mesma.


No próximo texto apresentarei como o Páscoa, representada na crucificação de Cristo nos libertou da escravidão do pecado e, consequentemente nos libertou do jugo de opressão intelectual de qualquer governo que não seja divino. Seja ele das trevas, espiritual, seja ele estatal, social.



Filipe Dias é CEO do ICPL, um cristão orgulhoso do Evangelho e um pecador envergonhado. Mora no Rio de Janeiro, sua Nação, com sua linda e digníssima esposa.

Amante de Café, Livros, o Club de Regatas Vasco da Gama e Lapiseiras, nessa ordem.

Cristão Reformado Libertário Tomista-Weberiano e apesar de eventuais contradições, em processo de perfeição. É. isso mesmo, Perfeição!

Geógrafo de Formação, Economista por Ambição, Cientista Político por Atração.

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A Liberdade

Ora, o Senhor é Espírito;

aonde está o Espírito do Senhor aí há Liberdade. 

 

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