Páscoa e Liberdade 3

Atualizado: 21 de Abr de 2019



Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão.

Gálatas 5:1


Todo o primeiro domingo de cada mês até Abril de 2019 teremos textos sobre a Liberdade e sua relação com a Páscoa. O maior evento que, para mim, representa a Liberdade no contexto cristão. Sem dúvida o maior simbolismo de libertação de um povo. Uma data que todo o Libertário deve pensar, comemorar e divulgar, sendo cristão ou não.


Já foram publicadas a primeira e a segunda parte, vamos à terceira então...


Terceira Parte


A carta de Paulo aos gálatas é um verdadeiro chamamento à liberdade, deve-se a esta carta um artigo completo, mas não é esse o caso. No entanto, em Gálatas percebemos como Paulo lida com alguns temas, sobretudo a relação da Lei e Cristo, ou seja, a justificação que vem pelo intermédio da fé que atua pelo amor. O contexto dos gálatas é bem específico quanto aos costumes do judaísmo e como este poderia limitar a liberdade do povo uma vez alcançada com a conversão em Cristo Jesus.


Em outro exemplo, Paulo mostra aos Coríntios a liberdade de costumes quanto ao consumo de alimentos, ou a qualquer outra coisa. Paulo apresenta ainda outros exemplos sobre a liberdade noutras cartas. Paulo efetivamente entendeu o que era seguir a Jesus. Seguir a Cristo dependia de total confiança nEle e nEle somente. Paulo era sabedor de que a liberdade em Cristo poderia efetivamente gerar conflitos. Na carta aos Romanos Paulo tem o cuidado de salientar a obediência às autoridades romanas, para salvaguarda a liberdade de culto e de pregação da mensagem do Evangelho. Paulo sabia que a igreja de Roma estava inserida em um ambiente fortemente opressor quanto ao culto a um Deus que não compartilhava sua adoração, veneração e sobretudo obediência. Já apresentamos algumas reflexões sobre Romanos aqui https://www.cristaospelaliberdade.org/blog/a-teologia-do-estado-no-novo-testamento-parte-1-o-que-realmente-era-o-dai-a-cesar e aqui https://www.cristaospelaliberdade.org/blog/a-teologia-do-estado-no-novo-testamento-parte-2-romanos-13-e-a-submissao-aos-governos


Paulo recusa o título de Líder terreno, como o "governador dos crentes". Em trecho da Bíblia de Liderança de John Maxwell, no prefácio do livro aos Gálatas ele diz:


Líderes saudáveis motivam ao invés de manipular. Paulo argumentou contra a ideia de que as pessoas precisam trabalhar para se tornar herdeiras da salvação. Ele desejava que os gálatas vivessem livres. Quantos mercenários não deveriam ter surgido para fazê-los trilhar uma "teologia de obras"! Paulo poderia ter se beneficiado disso, por ser o líder que os ganhou para Cristo. No entanto, eles foram chamados para a graça, e não precisavam ser manipulados por ninguém.

Seguindo a mesma linha de pensamento no caso de Onésimo e Filemom ele fala:

Eu queria conservá-lo (Onésimo) comigo mesmo para, em teu (Filemom) lugar, me servir nas algemas que carrego por causa do evangelho; nada, porém, quis fazer sem o teu consentimento, para que a tua bondade não venha a ser como que por obrigação, mas de livre vontade.

Filemom


Vale ressaltar que toda a liberdade defendida por Paulo, em Cristo, é limitada pelo Amor. O Amor é o ordenador da liberdade, é apenas o amor que pode restringir a liberdade individual em detrimento do próximo, lembrando que essa restrição é legitimada voluntariamente apenas pelo próprio individuo. Sem intermediários, exceto Cristo, ou reguladores e árbitros.


Vede, porém, que esta liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos

1 Coríntios 8:9


Após essa breve introdução vamos à Cristo, o nosso Cordeiro Pascoal que foi morto para que tivéssemos vida, vida plena, de acordo com aquilo que Ele propôs quando nos formou.


O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.

João 10:10


Se você é libertário vai saber o que é imposto, mas para você que não é far-lhe-ei um breve cenário. Hoje o brasileiro perde em média cerca de 40% em impostos, isso mesmo: perde, ou seja, se seu João tem uma renda familiar de R$3.000, o Estado fica com R$ 1.200. Ele poderia estar com R$4.200 para prover a si e a sua família. Isso representaria uma escola privada para seus filhos, o carro melhor para locomoção, mais carboidratos e proteínas animais e de melhor qualidade no alimento de cada dia, e por aí vai.


É evidente que Cristo está preocupado em tirar o pecado do mundo. Ele diz:


Disse pois Jesus aos Judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de alguém: Como dizes tu: Sereis livres? Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado ... Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.

João 8:31-33 e 35


Mas é evidente que em um mundo sem pecado teríamos liberdade plena de nossas mentalidade e esta nos traria a liberdade de produzir e manter o que produzimos, ou seja, produzir 100% e manter estes 100% se assim for a nossa vontade. Ou, usar tais recursos voluntariamente na obra de nosso Senhor como fazemos com os nossos dízimos, ofertas e doações, lembrando sempre que; maiores, uma vez que a porcentagem do Estado não seria debitada.


Essa análise é muito profunda e não dá para exprimi-la o suficientemente em um artigo, não é essa a nosso objetivo, mas sim trazer à discussão a ideia de que a Vida Plena trazida por Cristo abraça também a nossa opção por mantermos, ou não, aquilo que produzirmos. A Liberdade de Cristo é quebrar os grilhões do pecado e de uma mentalidade dependente de outros humanos coercivos, entidades espirituais, ou nesse caso, organizações humanas não voluntárias.


A mentalidade do cristão deve estar livre da política estatal de Providência. O Cristão deve acreditar única e exclusivamente na Providência que vem do Alto e não da providência estatal que se pretende igualar a Deus. Sabemos perceber a providência divina no milagre, ou seja, na cura de uma doença incurável ou no abastecimento de nossas despensas vivendo em um momento de dificuldade. Neste último caso, Deus pode usar um terceiro para nos abençoar. Assim sendo agradecemos à este pela a ajuda e creditamos a Deus a milagrosa providência. Agora, quando o Estado se coloca neste lugar, tirando da sociedade civil a caridade, a voluntariedade, a ajuda mútua de maneira geral, ele tenta roubar pra si a glória devida a Deus. E daí o cidadão percebe que suas necessidades "devem"ser supridas pelo Estado.


Nossa constituição é um carta ao povo de que o próprio povo deve acreditar única e exclusivamente nele, o Estado. Veja!


"Art. 6º  São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição."

Emenda Constitucional número 26 de 24 de fevereiro de 2000. Artigo 6º


Como garantir direitos como educação, saúde ... uma vez que seguindo um pensamento econômico básico tais diretos não são direitos, são ativos no mercado. Como garantir educação por exemplo? O Estado vai obrigar professores a dar aulas, ao médico a medicar? Garantir essas coisas é como garantir que todo brasileiro tem o direito social de ter carro, ou casa própria e por aí vai. O Estado não pode garantir recursos escassos a ninguém, e como tudo no planeta é escasso, inclusive o pensamento humano, como garantir esses bens?


Só Deus pode prover, e ele vai usar os meios dEle para fazê-lo. A idolatria ao Estado é pecado e quando reclamamos ao Estado de que esses "direitos"não estão sendo supridos, estamos acreditando que é ele o ente capaz de prover isso.


O Cordeiro Pascoal morreu no meu e no seu lugar para que tivéssemos vida plena, vida em abundância. Segundo um historiador, escravos dedicavam aos seus senhores cerca de 80%, as vezes até menos, do seu tempo, os outros 20% ele usava trabalhando para si, ou em lazer. Alguns usando esses 20% que tinham disponível trabalhavam para si mesmos e conseguiam até comprar outros escravos ou a carta de alforria. Hoje dedicamos cerca de 40% do nosso tempo ao Estado, trabalhamos até meados de Maio.


https://veja.abril.com.br/blog/impavido-colosso/em-um-ano-o-brasileiro-trabalha-5-meses-para-pagar-impostos-1-mes-so-para-pagar-icms/


Somos 40% escravos?


Que a Paz de Cristo lhe acompanhe, e oro para que nós brasileiros tenhamos uma mentalidade renovada e crente apenas no verdadeiro e único Salvador.



Espero ter sido sucinto e simples. Para que você consiga entender de forma clara o que foi passado. Se tiver qualquer dúvida, concordar ou discordar com absolutamente tudo do que foi descrito abaixo, deixe nos comentários sua satisfação, insatisfação ou questão.



Filipe Dias é CEO do ICPL, um cristão orgulhoso do Evangelho e um pecador envergonhado. Mora no Rio de Janeiro, sua Nação, com sua linda e digníssima esposa.

Amante de Café, Livros, o Club de Regatas Vasco da Gama e Lapiseiras, nessa ordem.

Cristão Reformado Libertário Tomista-Weberiano e apesar de eventuais contradições, em processo de perfeição. É. isso mesmo, Perfeição!

Geógrafo de Formação, Economista por Ambição, Cientista Político por Atração.

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A Liberdade

Ora, o Senhor é Espírito;

aonde está o Espírito do Senhor aí há Liberdade. 

 

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