Pensamentos sobre a palavra "Nós"

Atualizado: 15 de Dez de 2018

Os cristãos progressistas ridicularizam o individualismo libertário como contrário ao sistema de valores do Reino de Deus. Em suas mentes, começar com a sociedade, ao invés do indivíduo, é uma maneira moralmente superior de olhar o mundo, especialmente se os cristãos devem buscar justiça e paz. "Comunidade em primeiro lugar" ou "Pessoas antes dos lucros" são frases comuns usadas para promover essa ética. Os progressistas acreditam que, como os indivíduos vivem e operam dentro da sociedade, o bem comum limita a liberdade individual. 


Ideias impressionantemente positivas, como “responsabilidade social”, “justiça”, “bem público” e “igualdade”, que ninguém jamais se oporia, são usadas para atrair pessoas a desistir de seus direitos pelas agendas progressistas. Definições pérfidas de “bem comum” ou “direitos humanos” (sua frase favorita) justificam a usurpação do poder dos indivíduos para ajudar “os mais vulneráveis entre nós” - os idosos, os pobres, os doentes ou os imigrantes. Uma vez que Jesus sacrificou sua vida pelo bem do mundo, devemos fazer o mesmo. Uma sociedade construída sobre este princípio de amor pelo próximo é a única maneira de criar uma sociedade justa. E, assim diz o argumento, o sacrifício é a melhor, ou única, maneira de respeitar esse princípio.


Esta é uma maneira inteligente de conquistar os corações e mentes dos cristãos (e não cristãos) que desejam justiça. O convite para “pensar além de nós mesmos” é atraente para aqueles que pregam o auto sacrifício como o melhor caminho para amar o próximo. Em uma sociedade politizada, onde a democracia está entre os mais altos ideais, as pessoas se sentem motivadas sobre soluções coletivas para os problemas do mundo. Agir em conjunto é melhor do que agir sozinho, e declarações como as seguintes são comuns:


"Nós precisamos lutar contra o crime organizado"


"Nós precisamos de uma reforma abrangente da imigração"


"Nós precisamos ter segurança social na internet"


"Nós precisamos impedir que as pessoas usem drogas"


"Nós precisamos fornecer saúde pública para todos"


Frases como essas abundam todo dia, se não forem provenientes de nossos amigos ou colegas de trabalho, então, dos noticiários. Todo mundo quer viver em um mundo melhor. Todo mundo tem uma opinião (ou três). Todo mundo quer soluções. No entanto, os Progressistas apreciam um grandioso coletivo politicamente definido chamado “nós”, onde o poder e a autoridade residem no topo. Aderir ao sentimento democrático não nega a estrutura inerente da pirâmide de seu arranjo. Mesmo a sociedade mais puramente moral não pode ser organizada dessa forma porque os que estão no topo não terão o conhecimento necessário para satisfazer com sucesso as necessidades da sociedade. Ela só pode produzir uma falsificação porque as pessoas se tornam arbitrariamente agrupadas e definidas pelos supostos “especialistas” que influenciam os que estão no poder. Os direitos individuais são subsumidos sob a bandeira da justiça social.


"Nós" é uma palavra carregada com vários significados que podem ser usados para satisfazer as aplicações cooperativas e coercitivas. Isso pode ser esboçado de várias maneiras. "Nós" pode ser o povo de um país, um estado, uma nação ou um continente. “Nós” pode ser pessoas de um segmento racial da sociedade. "Nós" pode ser o povo dos Estados do Golfo, ou da Costa Leste ou da Costa Oeste. Menos geograficamente, "nós" pode ser uma pequena confederação, um clube de campo ou uma igreja. Os brasileiros estão acostumados a pensar em “nós” em termos de identidade nacional, em parte porque, desde a primeira infância, as escolas do governo nos condicionaram a pensar em termos de fronteiras nacionais. Mas o escopo de 200 milhões de pessoas torna o termo “nós” uma entidade precária quando as mãos do poder estão concentradas no topo. 


Mas existe uma maneira melhor de alcançar uma sociedade justa do que definir a palavra “nós” por identidades geopolíticas? Existe uma maneira mais ética de os indivíduos se associarem, que não apenas respeite suas diferenças únicas, mas também permita a união dentro da diversidade de opiniões? Existe uma maneira pacífica de se unir por um esforço comum em direção à justiça social? E se encontrarmos melhores maneiras de definir “nós”, esses grupos podem se basear no amor e na cooperação, e não no poder e na coerção, a fim de melhorar a sociedade de forma eficaz?


Para responder a essa pergunta, o cristão deve pensar em como ele considera seu vizinho. Será que ele o considera uma pessoa livre e única, criada para refletir uma das muitas qualidades diversas da imagem de Deus aqui na Terra? Se assim for, ele deve então respeitar seus dons e talentos diversos e únicos como complementos para o resto da sociedade, e permiti-lo se associar com quem quiser. Ele não pode considerá-lo como apenas algo feito para se encaixar na entidade maior chamada “sociedade” para que a “sociedade” possa ter sucesso. Para ele, planejar arranjos sociais grandiosos começando com a “sociedade” o viola roubando-lhe respeito e individualidade.


O movimento da igreja primitiva descrito em Atos 2 foi falsamente rotulado de “socialismo cristão”. O que é ignorado é o ponto óbvio de que o sucesso desse novo movimento foi devido à natureza voluntária do coletivo em que os primeiros crentes estavam se colocando. O Espírito de Deus os guiou, com certeza, mas não havia nada de coercitivo no movimento. As necessidades de todos foram atendidas não porque os envolvidos precisavam, mas porque todos os envolvidos queriam. Desta forma, fazer justiça é mais do que bons resultados, é sobre as maneiras pelas quais esses resultados são produzidos.


Não é um dever cristão garantir que nossas preferências subjetivas sejam impostas aos que nos rodeiam, que podem e têm preferências muito diferentes. É nosso dever cristão amar o próximo e combater a injustiça. Buscar uma sociedade justa significa que devemos defender uma sociedade livre onde os indivíduos sejam compreendidos como únicos e dignos de receber o domínio de suas próprias vidas. Devemos nos opor a uma ordem social planejada e buscar uma ordem livre, porque sabemos que grupos que surgem espontaneamente através da livre associação têm mais probabilidade de fornecer um benefício social, porque as pessoas são livres para participar. Seu benefício para o indivíduo e para a sociedade depende, em grande parte, do grau em que esses grupos se unem voluntariamente. Forçar as pessoas a pertencerem e identificarem-se com o esforço coletivo de buscar a justiça social criará uma sociedade que não é nem social nem justa.





Sobre o Autor:

Doug Stuart

é CEO da LCI e mestre em Divindade pelo Seminário Bíblico. Ele atualmente vive com sua esposa e três filhos em Lancaster, Pensilvânia, onde ele aprecia cerveja caseira, café torrado, leitura e aviação. Ele frequenta uma igreja evangélica onde ele ministrou aulas sobre cinema e cultura, evangelismo, fé e economia e não-violência.

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