Progressistas, Libertários e a Economia de Deus

Atualizado: 6 de Dez de 2018


Quando os progressistas enfatizam a justiça social usando frases coletivistas como “bem comum” e “cuidar do próximo”, a reação típica dos libertários é se concentrar em suas políticas e metodologia equivocadas. Mas os libertários que se dizem seguidores de Jesus podem se beneficiar enormemente ao entender um aspecto importante do evangelho. Se as boas novas de Jesus Cristo são suficientes para a transformação pessoal, elas são suficientes para a transformação social também. Mas os progressistas não conseguem produzir uma reforma social ética e viável; enquanto os libertários oferecem ideias que não são apenas compatíveis com os esforços de justiça social, eles oferecem também uma estrutura social ética dentro da qual produzi-la.


Em contraste com o evangelho excessivamente individualista e enfatizado no “você vai para o céu quando você morrer”, os defensores do evangelho social se concentram no propósito mais amplo da vinda de Jesus à Terra: estabelecer um Reino final que reinará em paz por meio do amor. O reino de Jesus não apenas contrastava com o método romano de estabelecer a paz através da violência, mas também era um desafio subversivo à injustiça imperial da chamada Pax Romana. César não era o Senhor. Jesus era o Senhor. César não era o Príncipe da Paz. Jesus era o Príncipe da Paz. Jesus proclamou as boas novas de que "o reino de Deus está próximo!" Ele começou um verdadeiro movimento social de vida baseado em paz, amor e cooperação mútua.


(Brevemente à parte: historicamente, o movimento do Evangelho Social de Walter Rauschenbusch era tão obcecado com as implicações sociais da mensagem de Jesus que os participantes ingenuamente abraçaram ideais antiéticos como o redistribuicionismo, o socialismo e, em alguns casos, o comunismo. Em vez de buscar formas verdadeiramente sociais e pacíficas de mudar o mundo, eles tendiam a adotar métodos coercitivos para alcançar seus objetivos. Esta não é uma posição defensável para um cristão libertário, porque o evangelho de Rauschenbusch não é nem social nem pessoal.)


Existe um sentido em que podemos entender o Reino de Deus como a "economia de Deus". Mas isso não significa que encontraremos no Novo Testamento uma receita para estruturas legislativas pelas quais a sociedade deveria ser administrada. Em vez disso, encontraremos algo mais valioso do que soluções jurídicas ou respostas para o debate sobre a distribuição econômica. Encontraremos respostas para o problema central do pecado através da demonstração de Jesus do Reino de Deus. A economia de Deus é sobre a saúde das relações humanas, não sobre as estruturas institucionais ideais. Entender isso mal é uma receita para aplicar perigosamente a ética do Reino de Jesus a uma estrutura institucional injusta e inadequada. Como disse meu amigo Art Carden, “A questão importante na ciência social não é realmente avaliar a qualidade moral do resultado, mas avaliar as instituições que produzem o resultado” (ênfase minha).


Se os cristãos devem proclamar a economia e a ordem social de Deus, desenvolver um modo de pensar econômico é fundamental para propor reformas sociais verdadeiramente progressistas. É aqui que os libertários - particularmente aqueles de linhagem austríaca - podem contribuir enormemente para os objetivos da justiça social. No entanto, a maioria dos cristãos progressistas sequer considerou um modo econômico de pensar; alguns até se opõem a isso! 


Economistas austríacos vão rapidamente apontar que a economia é fundamentalmente sobre observar a ação humana e explicar como o mundo funciona. Desenvolver um modo de pensar econômico pode nos impedir de buscar reformas sociais que produzam resultados negativos em detrimento da dignidade humana e do desenvolvimento moral. Invocar versículos bíblicos sobre o tratamento dos pobres (como Provérbios 22.1) para exigir impostos mais altos sobre os ricos ou aumentar o salário mínimo não justifica o roubo ou reverte magicamente as leis da oferta e da demanda. Apesar de toda a conversa sobre justiça social, os progressistas prescrevem curas para males sociais que não são nem sociais nem justas.

Os progressistas acreditam no mito popular de que os EUA operam sob capitalismo puro (o mesmo acontece com a maioria dos progressistas no Brasil, que o consideram um país liberal) e concluíram que a injustiça econômica é inerente à defesa da liberdade. Eles protestam contra a injustiça, mas confundem a identidade do inimigo. Em vez de considerar que a ideia fundamental por trás do livre mercado é que ele fomenta a cooperação e o comércio mutuamente benéfico, eles o tratam como se fosse inimigo da justiça. Então a liberdade se torna o bode expiatório, e a dominação se torna o salvador.


Nosso sistema econômico é injusto não porque é muito livre, mas porque sua estrutura institucional beneficia os politicamente conectados. Ideias progressistas como o imposto de renda, o Banco Central e as leis trabalhistas são políticas anti-liberdade que prejudicam as pessoas que elas pretendem ajudar. É por isso que a luta pela justiça social não se ganha “dormindo com o inimigo”, mas escolhendo construir para o Reino de Deus.  Os progressistas acreditam erroneamente que o Estado existe para proteger contra a desigualdade econômica e defender os oprimidos. Os libertários entendem corretamente o Estado pelo que ele é: violento, opressivo e uma força destrutiva na sociedade.


Cristãos progressistas e libertários podem aprender algo valioso um do outro. Libertários (especialmente cristãos libertários) não devem ver a justiça social como uma palavra obscena. É um objetivo social que Jesus valorizou e buscou, e seus seguidores deveriam fazer o mesmo. Cristãos progressistas precisam parar de olhar para o Estado para consertar os pecados sociais da ganância, opressão e racismo porque ele não pode curar esses males.

A esperança do mundo não está em aperfeiçoar os reinos deste mundo. A esperança do mundo é Jesus, e somente através do progresso pacífico de seu Reino a sociedade mudará para melhor.



Sobre o Autor:

Doug Stuart

é CEO da LCI e mestre em Divindade pelo Seminário Bíblico. Ele atualmente vive com sua esposa e três filhos em Lancaster, Pensilvânia, onde ele aprecia cerveja caseira, café torrado, leitura e aviação. Ele frequenta uma igreja evangélica onde ele ministrou aulas sobre cinema e cultura, evangelismo, fé e economia e não-violência.

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A Liberdade

Ora, o Senhor é Espírito;

aonde está o Espírito do Senhor aí há Liberdade. 

 

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